Cabana Espírita de Pai Fabrício comemora 105 anos com festa


Com uma vela acesa na mão e os joelhos cravados no chão em súplica e respeito aos guias espirituais da casa. Assim começa o domingo, 20/01, na Cabana de Pai Fabrício. Neste dia, Oxossi que faz sincretismo religioso com São Sebastião, serão os grandes homenageados. Uma tradição que já dura 105 anos no Rio de Janeiro. A programação começa às 15h e irá até às 20h. A casa fica na rua Capitão Custódio Caravana, 27, centro, Queimados. Entrada franca.

A ladainha de São Sebastião está marcada para as 15h, explica o dirigente da casa, Pai Fabrícius. “Este é um momento onde agradecemos e rogamos ao santo mártir, proteção para seus devotos e a todos que tem fé. Temos também a nossa congada de São Sebastião, composta por jovens e membros da casa em uma alusão a família Real portuguesa e a família real do Congo, com louvação e cânticos de fé”, explicou. Neste mesmo dia, também será realizada uma gira em homenagem a Oxossi e aos caboclos da mata, acrescentou. 

Casa comemora 105 anos Além de louvar os santos homenageados no próximo domingo, 20, a Casa também comemora os seu aniversário. São 105 anos de fundação, a casa que iniciou em um pequeno cômodo fundada em 20 de janeiro de 1914 por Custódio de Souza Caravana, em Queimados, com o passar dos anos foi crescendo, hoje conta com mais de 40 médiuns e está na terceira geração de dirigente espiritual, tendo como mentor espiritual a entidade que atende pelo nome de Pai Fabrício. A UMBANDA DE PAI FABRÍCIO De acordo com relatos de médiuns antigos, alguns vivos e outros que já vieram a falecer, a história da umbanda africanista de Pai Fabrício iniciou-se com o Sr.° Custódio de Souza Caravana, em 1914, por intermédio de uma entidade (mentor) espiritual chamada Pai Fabrício, que até hoje coordena os trabalhos na Cabana de Pai Fabrício que começou a partir do nascimento de Custódio de Souza Caravana em 1867. Ao nascer em uma fazenda que cultivava cana-de-açúcar e café, como tantas outras, e em pleno regime escravagista, filho de Luiz de Souza Caravana e de Dona Cândida Clara Caravana, que mantinham ideologias abolicionistas, no Sul Fluminense, pelos arredores de Vassouras e Miguel Pereira, o Sr.° Custódio de Souza Caravana parecia uma criança normal. Quando estava com cerca de seis para sete anos, foi diagnosticado com epilepsia, na época doença que considerada incurável. Ao ter uma crise, perante um negro, que com a sua vinda para o Brasil, fora registrado pela igreja católica, como era comum na no época, por Fabrício, e devido aos conhecimentos que trouxe da áfrica, tinha o dom de curar através de fórmulas e porções feitas com ervas, vendo a situação do menino, mencionou que “poderia curá-lo”. De início o negro foi rechaçado pelo Sr.º Luiz, (pai do menino), mas devido às constantes crises, Dona Cândida, pediu a seu marido que deixasse o negro, cuidar de seu filho, então se dirigiram até ele e lhe pediram, mas o negro pediu em troca, que deixassem o menino mais tempo com eles na senzala, para que pudesse aprender o que ele conhecia, o que foi aceito, e assim o menino passou a estar sempre no meio dos negros e ser querido por todos. Alguns anos depois, o negro faleceu, assim como seus pais, e ele com a abolição da escravatura, a divisão das terras pelos herdeiros, diminuiu o patrimônio adquirido pela família, passando então a se valer de seus conhecimentos. Mais tarde passou a manifestar o espírito de Fabrício, proporcionando curas pela região, tendo inclusive ganho o codinome de “ Grumenta do Alto da Serra”, fazendo as suas intervenções espirituais desde Vassouras, passando pelos municípios conhecidos atualmente por Miguel Pereira, Paraíba do Sul, Paty, Nova Iguaçu, Queimados, chegando a Senador Vasconcelos e Madureira. O homem que fez o trem parar em Madureira Um fato relevante na época, também marcou a presença desta família no Brasil, principalmente na Baixada Fluminense. Naquela época os trens não paravam na estação de Madureira e por seu intermédio, foi providenciado que a composição fizesse parada ali, conforme noticiado na edição de 1939 do Jornal Rio Ilustrado. Nas sessões grandes, sempre se reuniam mais de 300 médiuns na prática do bem e do amor ao próximo. Mesmo após seu falecimento, em 1988, os terreiros de Queimados (Cabana de Pai Fabrício), Vassouras (Tenda Espírita São José das Pedras) e Três Rios (Tenda Espírita São Jorge) mantém o mesmo trabalho de outrora. Apenas o terreiro de Lima Duarte foi fechado porque um dos filhos, Alfredo (falecido em 2018). Ele não quis assumir a casa por ficar em outro estado e ele teria que mudar-se com toda a família e filhos para lá. Hoje cada casa também tem o guia do dirigente na liderança espiritual, que busca pôr em prática tudo aquilo que foi passado pelo mentor espiritual Pai Fabrício, resgatando também as antigas tradições deixadas pelos negros da fazenda de Custódio de Souza Caravana, onde residiu o negro curador Fabrício. Este continha imenso conhecimento, com muita objetividade mantendo o lema de Caridade, Fé, Esperança, Amor e Trabalho. Direcionando sempre a luta de fazer o bem, sem olha a quem. RAÍZES DA GIRA DE PAI FABRÍCIO Atualmente as Casas de Pai Fabrício, existentes há 105 anos no Rio de Janeiro, se aproxima muito da Umbanda Omolocô, pela forte ligação com alguns rituais dos Cultos de origem Africana. Característica muito presente, principalmente na Cabana Espírita de Pai Fabrício, dirigida por Fabrícius Custódio Caravana (neto).

Fabrícius nascido e criado dentro da religião, foi batizado no santo aos sete anos de idade e lidera a casa de Queimados há 31 anos. Ele conta que depois do falecimento de seu pai Custodinho, buscou durante algum tempo, as doutrinas e ensinamentos, correndo caminho, e se aprofundando mais na cultura africanista para que na liderança da casa, soubesse interpretar os cantos, rezas e todos os procedimentos deixados por seu pai e avô.


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