Casa do Menor recebe rainha africana no Rio


Pela primeira vez uma Soberana Bantu encontra com seus descendentes após a escravidão colonial.

É a primeira vez que uma liderança do povo Bantu encontra com seus descendentes brasileiros após a escravidão. A rainha Diambi Kabatusuila, governante do povo Bena Tshiyamba de Bakwa Indu da região central de Kasai, antigo Império Luba, República Democrática do Congo está em visita ao Brasil desde o dia 27 de fevereiro e ficará no país até o próximo dia 14 de março. A turnê da rainha irá passar por quatro estados brasileiros. Coroada em 31 de agosto de 2016 ela detém o título de Diambi Mukalenga Mukaji Wa Nkashama (Rainha do Ordem do Leopardo). O Congo faz parte do grupo de países de origem bantu, primeira etnia de africanos que veio escravizada para o Brasil e tem enorme influência sobre a formação da linguagem, culinária, música como o samba, capoeira, práticas medicinais e ritualísticas que favoreceram o nascimento da umbanda. 

A visita histórica da rainha está sendo marcada pela mensagem deixada pela soberana de “união dos povos”. Em sua turnê pela paz, a rainha tem dialogado com indígenas, negros e representantes de várias religiões e a mensagem deixada pela soberana tem sido a máxima do Ubuntu que prega a força da união. “Eu sou porque tu és, eu só estou aqui porque tu estás aí. Podemos não ter o poder econômico nem a força das armas, mas temos amor no coração para unir nossos povos novamente porque somos todos África e nossa força está em vocês, nossos jovens”, disse Diambi em encontro com os jovens do projeto Casa do Menor no Rio na tarde deste sábado, 9 de março. 

A rainha também lembrou da escravidão em seu país e destaca a importância da resistência cultural. “Eu sou a prova da escravidão. Somente agora pela primeira vez consigo visitar meus irmãos aqui no Brasil para trazer uma mensagem de esperança e paz”, concluiu.  

O padre Renato, que coordena o projeto da Casa do Menor no Rio, destacou a importância da recepção a uma representante de um povo que marca a cultura brasileira. “É muito importante e gratificante para nós, mostrar aos nossos jovens a força desta nação que sofreu e ainda sofre com a escravidão. Mesmo diante de tanto sofrimento, eles nos deixaram um grande legado de amor e fé”, destacou o padre.  

A rainha ainda participou neste sábado de uma roda multicultural com orações e cânticos indígenas e afro-brasileira através da presença de lideranças da umbanda e Candomblé. O reencontro de irmãs

O reencontro de irmãs ancestrais, assim foi tratada a visita da rainha para anfitriã, Cristine Papiõn, a indígena que recebeu a rainha Diambi, através do Observatório Cultural das Aldeias (OCA) em parceria com diversas instituições públicas, filantrópicas e privadas.  Cris recebeu todos os carinhos e reconhecimentos da rainha e sua ancestralidade, incluindo uma vestimenta própria da Ordem dos Leopardos a reconhecendo como uma irmã ancestral. “Estou muito emocionada e feliz pelo carinho da rainha com nosso povo que sofre tanta discriminação. Essa é uma história na qual África e Brasil se tornam um só Coração. Filhas da Mãe terra, guiadas por antepassados, temos que voltar à “história inicial”, Destacou Papiõn. 

Um domingo de muita oração afro-brasileira

Neste domingo, 10, a rainha Diambi visita a Casa Ilé Ti Oxum La Lia Obá Ti Odou Ti Ogum Alpep - Corte Real da Nação Ijexá em Belford Roxo. O terreiro está passando por um processo de tombamento como Patrimônio Cultural e Imaterial do estado do Rio de Janeiro. Agenda restrita a convidados). Neste mesmo dia, também visita à casa Muna Nzo Mavuemba Nkosi Biole (Casa sagrada dos Divinos Leões) em Vaz Lobo, Rio de Janeiro.  


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