Religiosos de matriz africana da Baixada se unem contra o racismo religioso


Caminhada pela paz deve ser realizada em Nova Iguaçu 

Depois de vários atentados contra casas de santo e religiosos de matriz africana, em sua maioria ocorridos na Baixada Fluminense, religiosos estão se mobilizando junto às autoridades para exigir mais respeito e cumprimento da constituição que garante a liberdade de culto, abalizada esta semana por decisão do STF, que anunciou a manutenção do sacrifício de animais como uma tradição que deve ser respeitada e mantida pelas religiões. O caso chegou ao Supremo em um recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul contra uma decisão do Tribunal de Justiça gaúcho que autorizou a prática em relação a religiões de matriz africana, desde que sem excessos e crueldade.

Religiosos preparam uma caminhada na Baixada entre outras ações urgentes, contou um dos membros da Frente contra o racismo religioso, o ator Wildson França. “Em reunião nesta quinta, 28, com algumas lideranças de terreiro discutiu-se a importância de se manter um diálogo e atividades de fortalecimento da cultura afro brasileira e da preservação das religiões de matriz africana”, observou. O encontro contou com a participação de Mãe Itamara (terreiro de Parque Flora) Daniela Filha do templo Espírita Ogum Mege (terreiro de Cabuçu- Wildson França (Kwe Lomi Oba e Produtor Cultural ) Roque (Kolofé Ogã) Mãe Nádia (terreiro de Nova Era) Daniel Caetano diretor (Ong Observatório dos Saberes) Hélio Vanderlei ( Superintendente de Meio Ambiente) Geraldo Bastos (Coordenador Patrimônio Imaterial Secretaria de cultura) Entre as principais deliberações estão: ampliar a reunião, na próxima segunda 08 de abril onde cada membro deverá levar mais quatro casas de santo. A reunião ampliada deve acontecer na casa de cultura de Nova Iguaçu, às 17h. A frente de ação contra o racismo religioso também pretende realizar uma caminhada ou ato ecumênico envolvendo a diocese de Nova Iguaçu, o bispo dom Luciano e pastores evangélicos, bem como, outras denominações religiosas. Eles entendem que mesmo que as religiões de matriz africana sejam as mais atingidas, as outras também vem sofrendo com o racismo religioso. “Parcerias são fundamentais e não podemos deixar de contar com o poder público. Estamos avançando em negociações com as secretarias municipais do meio ambiente e cultura de Nova Iguaçu para criação do Espaço Sagrado para atividades dos terreiros de matriz africana e de adoração dos evangélicos”, destacou Wildson. No entanto, outros representantes públicos também estão sendo convidados a participar, lembrou. A criação de uma campanha pela paz e de valorização da cultura africana em Nova Iguaçu, também esteve na pauta do dia, além de uma audiência com a delegacia de combate a intolerância religiosa e um seminário sobre Intolerância Religiosa.  


16 visualizações0 comentário