Comissão de Combate à intolerância prepara um encontro com o Governador do Rio para reivindicar medi


Não basta mais seguir somente a Constituição Federal, para garantir os direitos de liberdade religiosa, os crimes de intolerância às liberdades têm tomado uma proporção que remonta à época da escravidão, com alguns vieses ainda mais cruéis, relatam os religiosos. Agora as agressões partem também de bandidos das próprias comunidades que se auto intitulam “traficantes de jesus”.

A professora Deise Marcelo, psicóloga, da Secretaria Municipal de Direitos humanos de  Nova Iguaçu, ressalta que não deveria ser constrangedor passar por um cabrito no caixa eletrônico (oferenda para pedir prosperidade), assim como ouvir atabaques dentro de um táxi. O vergonhoso deveria ser, ouvir o bandido dizer que é “traficante de Jesus”. Nossa religião não tem que ser perfeita para ser aceita, porque nenhuma é. Temos que ser aceitos porque temos direitos que deveriam ser garantidos por lei”, ressalta.

O sacerdote de umbanda, Fabrícius Caravana de Queimados, destaca a importância das religiões de matriz africana se fazerem presentes em várias áreas do setor público na luta por direitos mas também ressaltou a importância de se conquistar a comunidade em que vivem. “Em Queimados estamos presentes na maioria dos conselhos municipais, lutando por nossos direitos e já conseguimos algumas vitórias como entrar no calendário litúrgico no aniversário da cidade que antes era composto somente por igrejas evangélicas e católicas, também estamos lutando para garantir a laicidade nos órgãos públicos como escolas e Câmara Municipal que sempre promoveram cultos evangélicos nas sessões e escolas, ferindo a laicidade previsto na Constituição, além de outras questões sociais, no entanto é importante conquistar a comunidade dos terreiros. Somente elas podem te proteger e os trabalhos sociais são fundamentais nestes casos”, ressaltou. “Temos uma plenária no dia 19 de junho em Nova Iguaçu para articular outras ações como a primeira caminhada da Baixada", acrescentou.

Em reunião ampliada da CCIR - Comissão de Combate à Intolerância religiosa, na última semana, religiosos de várias partes do Rio, principalmente da Baixada Fluminense se reuniram na UFRJ para preparar um documento com as reivindicações por mais segurança para as liberdades religiosas, com base na Constituição Federal e pretendem apresentar este documento ao Governador do Estado, Wilson Witzel através de uma audiência pública com a presença de várias autoridades civis e eclesiásticas do Estado do Rio.

Segundo o articulador da CCIR, o Professor Dr. Babalawô, Ivanir dos Santos, essa é uma medida importante já que os problemas estão ainda mais graves com essa nova realidade do Rio. “Somente a união das religiões poderá nos trazer o sucesso. Precisamos nos unir com as representatividades religiosas que têm compromisso com a liberdade religiosa e mostrar que somos a maioria nesta luta sim e que podemos e devemos conviver em união. Ifá me deixou uma mensagem muito importante de que não devemos ir para o enfrentamento e que nossas armas são o amor ao próximo e a união através da educação.” Ressaltou.

Os números de agressões são muito maiores do que os oficiais

Segundo o Disque 100, dos casos de intolerância religiosa registrados no Brasil, quase 40% foram no Rio de Janeiro (117), SP (95), BA (56) e MG (51). Estes números não batem com os dados fornecidos pelo ISP (Instituto de Segurança) que tinha até a semana passada, somente cinco casos de intolerância religiosa registrados.

O CCIR também apresenta uma lista muito maior de casos no último semestre. Somente este ano na Baixada Fluminense que concentra quase um terço dos terreiros do Estado do Rio,  foram registrados os maiores números de ameaças, cerca de 38 casos, sendo 15 em Duque de Caxias, aproximadamente dez em Belford Roxo, cerca de dez em São João de Meriti e três em Nova Iguaçu.

No entanto, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) tem apenas um registro da Baixada, de um terreiro invadido em Nova Iguaçu, em março deste ano. O titular da especializada, Gilbert Stivanello, explicou ao Jornal Extra  que as vítimas têm medo de registrar ocorrência: “Em Caxias, as informações são limitadas por essa questão do receio das pessoas em comparecer à delegacia. Muitos moram e têm parentes no local, e temem que, mesmo sendo presos esses traficantes, outros assumam seus lugares. Temos que buscar informação de outras fontes para viabilizarmos ações a tomar. Isso gera dificuldade investigativa, sim.

Essa informação foi confirmada por uma das vítimas das agressões em Nova Iguaçu. A vítima  relatou que mesmo depois de o terreiro sair da comunidade, sua família ainda foi procurada pelos bandidos porque viram uma reportagem na TV e reconheceram sua voz na denúncia. “Temos medo de relatar o problema porque não sabemos com quem estamos falando. Minha família teve que sair inteira do Estado com medo de retaliações”, ressaltou.

Em Nova Iguaçu, onde mais de 15 terreiros já foram invadidos por bandidos, uma das vítimas relata que recebeu ordens de que nem com suas roupas de santo, poderiam circular pelas ruas. “Depois de ter o terreiro fechado, também recebemos a ordem de que não poderíamos nem andar com nossas roupas brancas pelas ruas. Depois deixaram que as sessões acontecem somente uma vez por semana, mas não queriam ouvir o som dos atabaques e também não queriam ver ninguém circulando pelas ruas’, ressaltou.

O procurador da República, Jaime Mitropoulos, ressalta que nos últimos anos tem percebido o aumento dos casos de violência religioso, principalmente sobre as religiões de matriz africana. O procurador geral também acredita que falta de resposta do Estado com ações punitivas adequadas a estes crimes seja um agravante para o aumento dos casos e a sensação de impunidade.

Baixada terá 1ª Caminhada contra a intolerância Religiosa

Um comitê Inter-religioso foi formado na Baixada com a intenção de promover ações conjuntas entre as cidades para conscientizar sobre a importância dos direitos às liberdades religiosas irá promover no próximo dia 14 de julho, a primeira Caminhada Inter-Religiosa da Baixada. A concentração será às 9h, na Praça dos Direitos Humanos, Centro de Nova Iguaçu. A caminhada começa às 11h pela Via Light.

Ministério Público é acionado na luta contra a intolerância religiosa na Baixada

Acionado por um grupo de religiosos da Baixada, o MPF tem promovido algumas ações conjuntas através de audiências públicas para movimentar a questão através da legislação. A última aconteceu em Nova Iguaçu, depois em São João de Meriti que levou a criação de um documento de reivindicações com dados atualizados sobre os casos de intolerância religiosa na região. Este documento foi encaminhado diretamente ao Governador do Estado do Rio de Janeiro Wilson Witzel,  através do Procurador Júlio Araújo e do interlocutor do CCIR, professor Dr. Babalawô, Ivanir dos Santos.

Segundo o Tata de Inkice,  Roberto Braga, que começou essa interlocução como MPF em Nova Iguaçu,  através do procurador Júlio Araújo, as agressões estão ficando cada vez mais insuportáveis e algo precisa ser feito. “Temos muito a agradecer ao procurador do MPF, Dr. Júlio, que nos recebeu e tem nos ajudado muito nesta luta, além de outras autoridades mas devemos entender que se trata de uma questão de segurança pública, além claro da garantia de direitos. Estamos reféns de bandidos. Eles entram nos terreiros com fuzis nas mãos e mandam a gente sair e pronto. Simples assim”, relatou.  A próxima ação será um encontro dos religiosos com o governador que já recebeu das mãos do procurador um documento de reivindicações. O local e a data ainda estão sendo definidas.

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