A primeira caminhada inter-religiosa da Baixada foi destaque na mídia nacional

July 15, 2019

 

 

 

 

Texto: Dine Estela

Fotografia: Thais Souza e Dine Estela 

Cinegrafista: Leandro Batista

Apoio: Fabrícius Caravana 

 

 

 

A grande imprensa cobriu de perto e ao vivo, a primeira caminhada inter-religiosa da Baixada Fluminense no último domingo, 14 de julho na cidade de Nova Iguaçu, a penúltima,  sofrer ataques contra religiosos de matriz africana. O ato começou por volta das 8h da manhã na Praça dos Direitos Humanos no centro com vários protestos com falas de autoridades religiosas de várias denominações, e percorreu a Via Light, uma das principais vias da cidade, por cerca de 1,5km, até o antigo pólo gastronômico  onde foram realizadas apresentações culturais e shows ao vivo de bandas evangélicas, cantores gospel, capoeira e dança cigana. Os organizadores do evento estimaram um público de 1.500 pessoas, o número não foi confirmado pela Polícia Militar.  

 

O evento teve como objetivo chamar a atenção das autoridades sobre o aumento dos casos de intolerância religiosa na região e contou com a presença de várias denominações religiosas, entre elas a União Wicca do Brasil, Candomblé, Umbanda, alguns membros da igreja católica, já que a mesma não esteve presente oficialmente, pastores e franciscanos, além de agnósticos, ateus e judeus e até alguns órgãos oficiais do Governo Federal, Estadual e Municipal, Além da CCIR (Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio), através do seu interlocutor o prof. Dr. Ivanir dos Santos. 

 

  

Nádia d' Oyá, uma das membros do Comitê inter-religioso que organizou o evento, acredita que a caminhada pode ajudar a mostrar para a sociedade o que está acontecendo. “Sabemos que a caminhada não vai resolver nossos problemas de falta de respeito e ataques aos templos, mas se toda vez que algo acontecer, tivermos o apoio da mídia para delatar estes crimes, uma hora eles terão que resolver a questão que vai além da segurança pública, é uma questão de educação social”, relatou Mãe Nádia D´Oyá da casa Ilê Ase Awon Orisa, em Nova Iguaçu.

 

 

 

 

 

Wildson França, que também estava na organização do evento pelo Comitê, acredita que este é apenas um primeiro passo para ações mais efetivas na Baixada. "Trazer para a rua uma manifestação onde o povo pode se expressar. Achei muito bom o resultado. Reunir 1500 pessoas num domingo, foi maravilhoso. Agora vamos continuar com os trabalhos através das plenárias para mapear melhor as próximas ações, principalmente exigindo ações mais efetivas por parte da sociedade", observou.

 

 

 

 

Autoridades presentes

 

Representantes do Governo Federal e da Secretaria Estadual de Direitos Humanos também estiveram na primeira caminhada contra a intolerância religiosa da Baixada Fluminense.  O Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, englobando assim as vítimas de intolerância religiosa, já que religião é um direito garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos também se fez presente ao evento.  Hoje executado no estado do Rio de Janeiro por uma instituição sediada na Baixada Fluminense, o Centro dos Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu.

 

O Programa esteve presente no evento recebendo algumas demandas dos grupos religiosos e realizando o encaminhamento com orientação jurídica, assistência social  e encaminhamento à rede de atendimento, como destacou a responsável, Larissa Chamarelli. Ela lembrou que as notificações são importantes para que  atendimento fique cada vez mais especializados. “Sabemos dos medos reais das vítimas e estamos aqui para ajudar na proteção. O governo Federal e Governo do Estado estão presentes neste evento para ajudar no que for preciso”, relatou.  A Polícia Civil e Militar não estiveram presentes ao evento,  mas a  prefeitura de Nova Iguaçu enviou equipes para fechar e organizar o trânsito no local . A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), disse que  vem investigando os casos de ataques e diligências estão sendo realizadas para apurar as circunstâncias dos fatos. 

 

O Babalawô Prof. Dr. Ivanir dos Santos, interlocutor da CCIR foi recebido pela  Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Segundo ele, suas demandas foram encaminhadas ao Conselho de Intolerância Religiosa, que, por sua vez, as encaminhou ao Conselho de Segurança, mas até o momento nenhuma medida efetiva foi tomada para minimizar a situação, conta o religioso. “Esse é um momento histórico para a Baixada Fluminense. Não adianta ficarem encaminhando nossas demandas para um monte de departamento de estado e nada ser feito.  Estamos há meses esperando o governador marcar uma reunião com nossos líderes religiosos para ouvir nossos pedidos de socorro e até agora nada. Pois estaremos juntamente com outros países como Sudão, Chipre e Iraque em Washington sendo premiados pela nossa luta pela causa contra a intolerância religiosa e mostrando para o mundo o que está acontecendo aqui no Rio de Janeiro e no Brasil. Ogum na abaixa a cabeça e Exú nos conduzirá”, destacou.  

 

Shows ao vivo e muita cultura popular marcaram a primeira caminhada em Nova Iguaçu

 

 

 

Teve de tudo um pouco na primeira caminhada inter-religiosa da Baixada Fluminense no último domingo em Nova Iguaçu. O evento começou com o som contagiante do Afoxé do grupo  Omo Ketu, grupos afros, samba de roda, hinos, dança cigana, e até cânticos em iorubá, língua que constitui um dos maiores grupos étnico-linguísticos da África Ocidental, com mais de 30 milhões de pessoas em toda a região.  Também marcaram presença o cantor Pedro Neves, o grupo Força Raiz, grupo Panelinha de Dendê, Ministério David e Daniel, entre outras atrações. 

 

 

Neste dia, também passaram pelo palco, vários líderes religiosos fazendo seus apelos pelo respeito e tolerância religiosa. “Nós evangélicos trilhamos pelo caminho do respeito e da tolerância. Isso é fundamental para o ser humano. Em Belford Roxo estamos em sétimo lugar em questão de intolerância e somente o diálogo e a educação poderão resolver essa questão”, destacou o pastor Júlio Costa da Igreja Assembléia de Deus de Belford Roxo. 

 

A bruxa, Alana Morgana de São João de Meriti, esteve presente representando a União Brasileira Wicca, oriunda de São João de Meriti, Alana conta que também já foi vítima de intolerância religiosa e sofre até hoje com o trauma. “Eu quase fui apedrejada na rua. Minha casa foi pichada. Eu fiquei trancada quase dois meses dentro de casa com medo de sair às ruas. Ainda não consigo sair com a minha capa de bruxa, mas hoje estou aqui para pedir respeito à minha crença, a minha fé. Estes absurdos não podem continuar”, desabafou. 

 

Eugênio Ibiapino representante da igreja católica brasileira destacou que hoje quem sofre são as religiões de matriz africana, mas amanhã poderá ser a igreja católica e até as evangélicas que não se alinharem ao sistema proposto. “todos estão na reta dos dos ataques. A igreja católica está junto e firme nesta luta pela liberdade religiosa e pela democracia”, lembrou Eugênio. 

 

Dom Avelino da igreja presbiteriana Unida de Queimados foi representado também fez questão de deixar sua mensagem de união e paz. “Eu quero trazer o sentimento de amor e fraternidade para este movimento e mostrar que não somos a favor destes ataques contra as religiões de matriz africana porque somos todos filhos do mesmo Deus. Nós somos participantes ativos deste movimento em nível nacional e estamos aqui também para trazer nosso apoio. Amém”, relatou. 

 

 

O sacerdote de umbanda, Fabrício Caravana lembrou da importância de mostrar a importância filantrópica das casas de axé para a sociedade. “Precisamos mostrar, principalmente para nossas comunidades que estas casas de matriz africana são casas onde se praticam o amor e o respeito e muito trabalho social, sendo o esteio de muitas famílias carentes de nosso país, pois nestes lugares vivem famílias de várias gerações”, destacou o sacerdote Cabana de Pai Fabrício em Queimados. 

 

O pastor Rogério Alencar da Associação Batista Iguaçuana e também da primeira igreja Batista de Austin também levantou a bandeira da liberdade de culto. “Dentro de nossos princípios batistas, a plena liberdade de religião é passível de todas as pessoas. O homem é livre para propagar a sua crença e suas convicções. Vamos dizer não a discriminação”, destacou.

 

                                                                                                                                                 Sacerdote de umbanda, Fabrícius Caravana 

 

 

 

Um dia de homenagens

 

 

 

O Ogã mais antigo do Brasil, Bangbala também esteve presente ao evento e recebeu justas homenagens do Comitê inter-religioso como forma de destacar as personalidades da cultura africana no Brasil. Com 100 anos de idade e morando há 50 em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Luiz Angelo da Silva, o Ogan Bangbala, foi diretor do Afoxé Filhos de Gandhy. 

 

Os números da intolerância religiosa no Rio

 

Segundo estatísticas do Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa,  há relatos de mais de 200 ameaças a casas religiosas no estado do Rio de Janeiro, e o campeão é a capital (55%).  Nova Iguaçu está em segundo lugar ranking com (12, 5%) dos ataques, seguido de Duque de Caxias com (5,3%) somente este ano.

 

O CCIR também registra que no primeiro semestre deste ano, cerca de 200 ameaças contra casas que cultuam religiões de matriz africana no estado do Rio, um número 100%, maior do que o verificado no mesmo período do ano passado. Desse total, 35% dos casos foram na Baixada Fluminense.

 

Na semana da caminhada outro terreiro de candomblé  foi atacado pelos “Traficantes de Jesus” no bairro Parque Paulista, em Duque de Caxias, na última quinta-feira (11). Os criminosos invadiram o espaço, que funcionava há mais de 50 anos, e obrigaram a responsável local a destruir todos os símbolos que representavam os orixás. Em junho o  Ase Olode Ala Orum, em Madureira, também foi atacado. Na semana anterior outro terreiro em Nova Iguaçu também tinha sido atacado. Nesta cidade mais de 20 casas já foram fechadas pelos traficantes de Jesus. 

 

 


 

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